
David Miller, o ternor norte-americano do grupo Il Divo, é reconhecido mundialmente como um dos mais talentosos e brilhantes jovens cantores de seu país. Com um currículo privilegiado antes de entrar para o quarteto, recordes, premiações e fama de proporções estrondosas como parte do grupo de ópera-pop, David fala sobre valores relevantes no processo de aprendizagem e construção de quem é hoje.
Educação, disciplina, dedicação, desejo, arte e ciência são os temas abordados na recente entrevista de integrante do grupo Il Divo. A publicação ocorreu em 16 de outubro passado, no site “Stay out of school”. A tradução é de Regina Vieira, do Liberté.
Posto o texto em dois momentos, sendo o primeiro hoje e o segundo na quarta-feira, pois se trata de uma entrevista muito longa e dessa forma a leitura fica mais confortável e interessante.
Acompanhe a prmeira parte abaixo.
Lizzie*
__________________________________
ENTREVISTA
IL DIVO ENTREVISTA – David Miller
SITE: STAY OUT OF SCHOOL
PUBLICADA EM: 16/10/2010
REPORTAGEM DE: Elizabeth King
TRADUÇÃO: Regina Vieira
**Clique aqui para ler em inglês o texto original

David Miller, nasceu na California em 1973 e cresceu no Colorado, graduou-se no Conservatório de Oberlin com formação em Performance Vocal e Teatro de Ópera. Mais conhecido por seu atual trabalho como o membro americano do quarteto internacional Il Divo, criado por Simon Cowell, David também cantou o papel de Rodolfo na versão de Puccini em 2002 de Baz Luhrmann La Boheme na Broadway. Ele também cantou na mais renomadas casas de ópera no mundo, incluindo o legendário La Scala, e é internacionalmente conhecido como um dos mais brilhantes e mais talentosos jovens cantores americanos de ópera. Nós estamos emocionados por ter compartilhado com ele seus pensamentos sobre crescer como um jovem artista e educação artística aqui no Stay out of School (Fique fora da escola).
REPÓRTER: Você pode começar nos dando a descrição do trabalho que você faz?
DAVID MILLER: Bem, eu sou um cantor. Eu fui treinado por cinco anos como um cantor clássico e dois anos como aprendiz no Young Artist at the Pittsburgh Opera Program (Programa Jovem Artista de Ópera de Pittsburgh). Eu então passei dez anos como um cantor de ópera apenas cantando ópera. Nos últimos seis anos eu tenho estado com o grupo Il Divo; nós somos quatro cantores de diferentes estilos musicais. O que nos fazemos é juntar nossas diferentes experiências, mesclando o jeito que cada um de nós quatro canta numa única canção que demonstra diferentes técnicas. Nós podemos começar uma canção de maneira pop, natural, emocional e terminar com um grande final lírico.
REPÓRTER: Quanto de sua educação musical inicial aconteceu em casa e quanto aconteceu na escola? O que era ser um jovem músico numa família como a sua?
DAVID MILLER: Minha primeira experiência com música em casa foi, bem, eu acho, no útero. Minha mãe costumava ouvir música clássica e colocava os alto falantes perto de sua barriga! (risos) Mas na realidade, minha primeira experiência musical foi o piano – meus pais tinham um piano e eles conseguiram algumas lições de piano para mim e eu não fui muito bem. Então eles disseram, ‘ok, se voce não gosta disso, o que você gosta? Você gosta de algum instrumento musical?’ E eu disse que queria tocar trombone.
Então eles encontraram um professor que tinha vontade de ensinar um garoto de nove anos como tocar trombone. Meu professor no fim encontrou-me uma jovem orquestra para tocar e eu sobressai rapidamente sob a direção e disciplina dos meus pais… não que eles tocassem qualquer instrumento, mas aplicaram o ideal que se você colocar seu coração e sua mente em alguma coisa, você pode fazer qualquer coisa que você quiser fazer. Então eles disseram, ‘se isto é o que voceê quer fazer, bem, mas você tem que aprender do básico e você tem que aprender a teoria e você tem que aprender o que a música e assim você pode se especializar’. Foi isso que a jovem orquestra me propiciou todos os sábados e meus país requeriam isso de mim… eles diziam ‘se você vai fazer isso, você tem que praticar em casa pelo menos uma hora por dia’ – quer trabalhando nos livros de exercício da teoria da música ou praticando o trombone.
Eu fiz isso até aos treze anos e então eu decidi que a banda era muito chata, então eu me juntei ao coral.
REPÓRTER: Parece como subir a um nível maior da banda para o coral… como um degrau a mais.
DAVID MILLER: Sim, é engraçado considerando a opinião atual de todo mundo sobre glee club do Glee*, o qual eu acho um programa divertido. Eu realmente não me importo com cenários, mas eu acho que é um show engraçado e eu gosto que isso encorage pensar sobre como a música pode funcionar na escola. Eu tenho sido um grande teórico sobre a música ser apenas música – música é um modo de pensar, uma procura por um profundo entendimento que pode não ser tangivel, pode ser temporário. Mas é aprendendo como harmonizar, aprendendo como se expressar, aprendendo muitas níveis de sentir e pensar profundos e inatingíveis que são absolutamente aplicáveis para qualquer outra disciplina.
* Glee club é um clube organizado onde homens e mulhere cantam junto. Glee é um seriado americano gênero comédia musical.
Aprender (música) é absolutamente aplicável para qualquer outra disciplina.
REPÓRTER: Ok, então nós podemos falar um pouco mais sobre disciplina? Você estava falando sobre isso mais cedo, esta disciplina impulsiona sua paixão? Você lutou para ser disciplinado?
DAVID MILLER: Para mim, eu acredito que disciplina vem de diferentes formas. Todo mundo tem um estilo de aprender. Algumas pessoas, como eu mesmo, aprendem de ouvir. Eu posso ouvir uma conversa e repetí-la quase literalmente quando eu estou realmente focado e prestando atenção. Outras pessoas não podem fazer isso – outras pessoas são aprendizes intuítivas, por exemplo, se estão aprendendo uma língua. Se eu estou aprendendo um idioma, eu apenas tenho que ouvir repetidamente e é fácil para mim repetir – Eu sou muito parecido como um papagaio. Algumas pessoas necessitam falar e falar então conseguem memorizar. Outros tem que sentar e escrever, realmente depende da predisposicão que você tem na sua mente.
Eu acho que tem uma coisa realmente importante a entender sobre você mesmo quando considerar qualquer tipo de disciplina. Se você está seguindo uma paixão e você tem recebido uma série de instruções em como ser disciplinado e isso não combina com seu estilo de aprendizado, você vai acabar se sentindo como se estivesse batendo sua cabeça contra uma parede.
REPÓRTER: Então de várias maneiras, sua própria disciplina pode atualmente impulsionar seu entendimento de você mesmo e seu entendimento sobre o trabalho pronto que é a linguagem que você classifica de falar inerentemente como um aprendiz e um pensador.
DAVID MILLER: Eu penso que ‘disciplina’ é realmente uma outra palavra para ‘dedicação’. Vem de um lugar interno: ou você quer fazer alguma coisa ou não quer. Se você realmente quer fazer, há certas coisas a construir, que você precisa estar apto para integrar em quem você é. Como, se você quer aprender matematica, se você gosta de de matemática, você vai descobrir um jeito como aprender matemática. Você pode estudá-lo de um ponto de vista esotérico, você pode escrever as equações repetidamente, qualquer coisa que funcione para você, mas você tem que descobrir o que combina com seu estilo de aprendizado e você tem que se dedicar.
Você não pode aprender nada sem dedicação. Você tem que ter o desejo de absorver alguma coisa a fim de que você vá atrás disso e absorvê-lo. Eu acho que isso é um resumo do que a disciplina realmente é.
Disciplina é uma outra palavra para Dedicação.
REPÓRTER: Estou muito interessada em revelar aqueles momentos onde sua identidade como um artista realmente teve seu ponto alto ou momentos quando você se sentiu habilitado para tomar o que sentiu como um `grande passo` para seu desenvolvimento como artista. Houve alguma pessoa chave ou momentos que vem a sua mente? Ou talvez estes possam ser momentos onde você começou a se identificar como `um artista` ao invés de uma outra criança que cantava?
DAVID MILLER: Hum, eu não acho que já tenha encontrado esse ponto (risos). Eu não vejo isso em termos de categoria, como ‘isto é arte’ e ‘isto é ciência’, porque eu acho que há ciência atrás da arte e há arte atrás da ciência. Para mim , eu sou muito analítico e lógico, eu sou muito científico sobre minha proximidade com a música. Por exemplo, aprender sobre a voz, aprender sobre a estrutura física da voz, aprender como a pressão da respiração interage com suas cordas vocais, que obstruem quando submetidos a uma carga proporcionando a você um equilibrio de não respirar muito, o qual pode criar nódulos em sua garganta e não muita pressão, o qual pode causar polípos, que é o outro lado da moeda. É sobre como achar seu equilíbrio entre isso.
Eu sou muito guiado pelo físico, interessado em entender fisicalidade – do ponto de vista imaginário porque eu obviamente não posso ficar olhando para minhas cordas vocais o tempo todo. Mas eu estudo os desenhos , eu conheço anatomia, eu entendo onde todos os ossos estão, todos os músculos , todos os ligamento , todas as cartilagens na garganta inteira, pulmão, sistemas e diagramas… mesmo os orgãos que se deslocam quando você respira: tudo isso está na minha mente sobre arte. É muito , muito raro para mim eu cair num lugar de sensações como, ‘oh, isto é pura criação! Estou expressando emoção através da música‘, nunca consegui chegar nesse ponto.
Eu digo ‘ok, aqui está o C alto *chegando, eu preciso chegar nele do E natural**, o que significa que vou precisar uma certa abertura na garganta assim eu posso entrar em um passaggio***, o qual necessita de alguma pressão de respiração e abertura liberando minha mandíbula que necessita estar bem aberta’.
É verdadeiramente estranho. (risos)
Neste estágio da minha carreira, é tudo muito científico e um pouco pedante. Tem sido minha muleta por muito tempo – Tem sido minha base de entendimento que quando eu estou doente eu sei o que músculos estão fazendo, quando estou desidratado por estar num avião, eu sei o que os músculos estão fazendo e como compensar isso.
Como disse anteriormente, eu realmente não consigo ir para esse lugar onde eu apenas deixaria fluir e apenas emocionar… e não é alguma coisa que você possa quantificar ou quebrar, ou se eu posso, eu ainda não descobri como. É algo que eu estou aprendendo a descobrir através do meu conhecimento científico. ‘Sim, eu consegui isso, isso é minha base. Agora eu preciso descobrir o YIN e o YAN ( forças contrárias que interagem e como crescem dando lugar uma a outra). Cantar é um tipo de atividade antiquada. Mas você tem que encontrar a força do qual ela floresce.
É onde eu estou agora. Me chamaria de artista? Mmmmmmmmm, talvez? (mais risos)
* C Alto (High c) é uma nota musical dois oitavos acima do C Médio.
** E Natural é tempo de duracão relativa que envolve altura e timbre e amplitude do som
*** Passaggio, registros vocais de amplitude e alcance do som
Oh, isso é engraçado! Eu me identifico totalmente com isso – Eu sou muito consciente quando faço qualquer tipo de trabalho. Eu também sou muito interessada do mesmo modo que você é; eu realmente entendo isso. Eu nunca vou deixar isso acontecer ( ou talvez enfrentar uma situaçao dificil) também e dizer ‘eu estou tendo um momento criativo’ porque eu estou constantemente alerta das técnicas em qualquer coisa que eu esteja trabalhando. Isso é muito interessante para mim.
Isso é o que Baz Luhrmann costumava me chamar ‘gerente interior de palco’. Ele disse que todo mundo que é um artista tem um artista dentro de si e um gerente interior de palco no qual eles precisam encontrar o equilibrio entre ambos. Você não pode ir longe com sua arte se você esquecer onde estão todas as suas motivações e o que sua atuação é. Você não pode ir longe como técnico, como um gerente interno de palco, que você não conecta com a audiência através da arte.
Há um equilíbrio a ser feito.
Para ele é 70/30: setenta por cento artista , trinta por cento gerente de palco e ele costumava dizer que eu tinha tudo isso. Que era uma das coisas que ele estava tentando me ajudar a descobrir.
________________________________
CONTINUA NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA, DIA 3 DE NOVEMBRO.
Curtir isso:
Curtir Carregando...
Read Full Post »